Em cinco meses de convivência com o Felino, aprendemos muito – eis uma bela desculpa pela falta de atualização deste blog. Nossos parcos momentos de lazer são divididos em: tirar o gato de cima do armário; evitar que o gato coma todas as plantas e vegetais da casa; cuidar para que o gato, num surto kamikaze, não pule da janela com seus ataques desastrados; proibir o gato de tomar água da privada; abrir a torneira da pia pro gato não morrer empapuçado; tomar conta para que o gato não destrua o que restou da nossa casa. Após o aloprado felino ter dizimado uma bernunça e um boi de mamão de cerâmica, um jogo da velha de cangaceiros, um porta velas e quebrado covardemente a perna de um indefeso coelho de páscoa, ele sorrateiramente abriu buracos no forro da cama (onde hoje ele clama ser seu território independente), num árduo trabalho que custou dias e noites de ‘malinagem’. Nem Alcatraz segura o sujeitinho.
A sociedade protetora dos gatos de rua já nos intimou para algumas audiências após denúncias de que estaríamos utilizando spray de cânfora para acalmar o bichano durante seus surtos psicóticos diários. Outros reclamam também de nossa má vontade por servir ração menos de 15 vezes por dia e por não utilizar a psicologia adequada para educar o animalzinho. O que diriam eles se soubessem que cogitamos um preto véio, um exorcista e um xamã (trabalhando em equipe) para retirar este corpo estranho que alopra nosso bichinho de estimação, carinhosamente rebatizado de ‘Poltergato’? A última das audiências, por exemplo, tratou de nosso cruel hábito higiênico que consiste em limpá-lo diariamente com lenços umedecidos e ‘banhos secos’ do Senninha® que lhe conferem o agradável odor de papel higiênico perfumado. Alegamos em nosso favor a insuportável situação do Felino desfilar elegantemente pela casa (e pelas almofadas) com seu fiofó recheado. A denúncia partiu de uma desalmada vizinha que não suportou os miados do gato quando o Érico limpava suas infames partes.
Neste exato momento, Felino está no meio de nós, sem desconfiar de que ele é o assunto do dia e que nossos milhões de leitores irão se sensibilizar mais com nossa situação de pobres donos de um gato trelelé do que do seu farto dia-a-dia de sono, ração, água corrente (da torneira, quando não do vaso) e malinagem.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
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2 comentários:
Muito bom o texto! Só que, postando sempre como as mesmas duas pessoas, não dá pra saber quem é que escreveu. Minha aposta vai pra Fabi.
Ei, faltam agora comentários sobre a viagem ao exterior, eheheh.
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